Despertamos. Algo chama de dentro.
É estranho o descongelamento dos membros. Tão acolhedor é o ninho, braços e pernas cruzados.
Levantamos ainda cambaleantes, duvidosos do chão em que pisamos. Nunca mesmo estivemos lá.
Nos arrepiamos. Frio, medo, incerteza, o que será ?
Balbuciamos os primeiros sons. Ua ua uáa vibramos para chamar os outros. Que venham juntos!
A travessia é perigosa.
Mas temos que ir. Mais alto, mais além. Para onde haja calor, verde, flores, frutos.
Para onde seja primavera.
Sol a pino. Meio dia. A sirene toca. É agora. É a hora!
Quem tem o visto, venha junto. Quem não tem, também. Enquanto todos se juntam e aproveitam a corrente de vento, você vai ficar de fora por causa de burocracia ? O que te impede? Um papel ou o peso das asas coladas ao corpo ?
Todos, crianças, velhos, homens e mulheres. Não há prioridades. São todos pássaros em migração. Rumo ao Norte!
As pashiminas que esquentam o pescoço viram asas.
Vamos. Cinque, quatre, trois, deux, un, voilà!
Abram alas que vamos voar!
Os vídeos são pedaços do espetáculo do qual participei ao meio dia da quarta-feira 06 de fevereiro. O texto é minha interpretação.
"Horizondelle" é parte do programa Sirènes et midi net, que promoverá a cada primeira quarta-feira do mês apresentações em frente à L´Opéra de Marseille. São doze minutos de apresentação sempre com a participação do público. Além das três atrizes da Cia Tout Samba´l, outras quase 20 pessoas participaram como voluntários apoiando.
Uma deles é Jalila Sabri, verdadeira "mediterrânea" de origem bérbere (os povos originais do Marrocos, como os índios americanos, me corrigiu quando disse que eram os povos das montanhas) e andaluza que vive em Marseille há 13 anos. Jalila tem 34 anos, é formada em turismo e trabalha como animadora de festas. Disse que eles ensaiaram duas vezes na semana passada e que gostou muito da experiência da participação do público. Se não estiver trabalhando no próximo mês (ela também faz bicos com turismo), vai ser voluntária de novo.
"Horizondelle" é parte do programa Sirènes et midi net, que promoverá a cada primeira quarta-feira do mês apresentações em frente à L´Opéra de Marseille. São doze minutos de apresentação sempre com a participação do público. Além das três atrizes da Cia Tout Samba´l, outras quase 20 pessoas participaram como voluntários apoiando.
Uma deles é Jalila Sabri, verdadeira "mediterrânea" de origem bérbere (os povos originais do Marrocos, como os índios americanos, me corrigiu quando disse que eram os povos das montanhas) e andaluza que vive em Marseille há 13 anos. Jalila tem 34 anos, é formada em turismo e trabalha como animadora de festas. Disse que eles ensaiaram duas vezes na semana passada e que gostou muito da experiência da participação do público. Se não estiver trabalhando no próximo mês (ela também faz bicos com turismo), vai ser voluntária de novo.
Nine Rhode, mais conhecida como Adèle R "a mulher-pássaro", é criadora da Cia Tout Samba´l e acredita que o homem do século XXI será um pássaro. Os espetáculos que cria brincam com os mitos, a atualidade, a biologia e a língua dos pássaros. Quando a perguntei se ela só se apresentava na rua e porque, me disse que "gosta de brincar com todos, de brincar com a realidade, com o cotidiano da gente e da rua".
Comentei com Adèle que quando li o nome da companhia pensei em samba e ela riu. Sim, no começo, faziam batucada na rua com colheres, escovas de dente, material reciclado...Minha amiga colombiana estava me ajudando como tradutora e Adèle aproveitou para dizer que ama os pássaros da América do Sul!
O Centro Nacional de Criação Lieux Publics de Marseille organiza e apoia eventos públicos como esse. A ideia é brincar com a cidade, o que farão muito ao longo de 2013, já que Marseille é Capital Cultural da Europa.
Ah, que bom seria ver brincadeiras como essa nos espaços públicos brasileiros!
*Ah, perdoem o vídeo na vertical. Deslizes de amadora. Sim, estou convencendo alguma produtora a mandar um cinegrafista comigo! hehehe


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